Jovens, agricultoras e agricultores familiares, dirigentes sindicais e de cooperativas, estudantes e técnicos do estado do Paraná, organizados pela Fetraf-PR, por meio do projeto Da Terra À Mesa e em parceria com a Assesoar, realizaram um intercâmbio no último sábado (18), para conhecer a experiência de produção de couve-flor em SPDH, da família Hoffmann.
Na comunidade de Alto Mato Grosso, município de Angelina (SC), vivem os irmãos Alexandre e Almir Hoffmann e família, que há aproximadamente 20 anos desenvolvem e constroem conhecimentos na produção de couve-flor, baseados no método de Sistema de Plantio Direto de Hortaliças e outras culturas (SPDH+).
A área total é de 67 hectares, sendo 15 hectares destinados ao cultivo de hortaliças e o restante da área possui pastagens e uma grande parte com mata nativa.
Segundo Almir, a decisão em mudar o modo de produção ocorreu após um dia normal de trabalho, quando desenvolvia uma prática convencional. “Revolvi a terra durante o dia e não cuidei do tempo, a noite deu uma forte chuva e levou toda a terra da lavoura,” conta o agricultor familiar, que desde então investe na produção de palhada sobre o solo.
O SPDH+ consiste em manter o chão sempre coberto. “Somos mediadores dos processos de reconstrução do solo”, afirma Marcelo, extensionista da Epagri responsável pelo acompanhamento desta Unidade de Referência Tecnológica.
Os 15 ha de lavoura são cultivados de forma rotacionada. Enquanto uma parte recebe a cultura comercial, a outra recebe dois ciclos de plantas de cobertura (inverno/verão). A regra da família é não entrar com plantio de couve-flor, se não tiver pelo menos 20 toneladas/massa seca/ha/ano. “As plantas são promotoras da biodiversidade, elas constroem o solo, geram vida e fertilidade natural,” diz o engenheiro agrônomo e pesquisador, Valdemar Arl.
Completado o ciclo das plantas de cobertura, se faz o acamamento e o plantio da couve-flor, com o auxílio de um rotocar adaptado – são 6 mil plantas/semana. Essa produção é comercializada quatro vezes/semana, num centro de distribuição no município de Tijucas (SC), localizado a 125 km da propriedade.
Sobre os resultados, Almir declara que o método tem garantido uma redução de 60% nos custos de produção e ainda houve aumento na produtividade.
As lavouras da família Hoffmann têm se tornado referência, sendo que já receberam mais de 3 mil pessoas para visitar e experienciar este novo jeito de fazer agricultura.



