Projeto Da Terra à Mesa
Conheça o Projeto
- Este projeto visa promover a transição agroecológica massiva na agricultura familiar na região sul do Brasil, através da capacitação, estruturação produtiva, suporte tecnológico, intelectual e material e disseminação da metodologia do Sistema de plantio direto de hortaliças e outras culturas - SPDH+.
- Acontece por meio de um convênio (Nº 969630/2024) firmado entre o Centro de Estudos e Assessoria ao Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CEASOL) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), com atuação em rede, entre a Associação do Centro de Educação Sindical ACESI/PR, o Instituto de Cooperação da Agricultura Familiar – ICAF SC e o ICAF BR. Conta ainda, com a parceria das Federações dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – FETRAF´s dos três estados do Sul e sindicatos filiados.
- As ações ocorrem no período de 2025/2026, com foco em duas metas principais:
- A primeira, objetiva promover a formação e a capacitação de agricultores familiares, equipe técnica e lideranças da região sul do Brasil como agentes de transição agroecológica, com foco no SPDH+, linhas de crédito do PRONAF e acesso aos mercados institucionais (PAA e PNAE).
- A segunda, propõe a estruturação produtiva de 600 famílias e implantação de 36 unidades de estudo.
🌿🌾 O Sistema de Plantio Direto de Hortaliças e outras culturas (SPDH+), é uma metodologia utilizada pelo Projeto da Terra à Mesa, como forma de promover a transição agroecológica massiva na agricultura familiar na região sul do Brasil.
✅ É um caminho para a construção de um novo jeito de fazer agricultura, que diminui os custos, mantém e melhora a produtividade e as condições ambientais.
🌱☘️ Na dimensão técnico científica, muda o raciocínio agronômico, tendo a planta como centro e a saúde de plantas e a saúde ambiental como perspectiva. Sustenta-se na biodiversidade e produção de biomassa para ampliar a funcionalidade e fertilidade do sistema.
🔁 Na dimensão político pedagógica se exerce num processo dialético e dialógico que busca a transformação da realidade, dos contextos e dos sujeitos envolvidos por meio da interação constante e unitária entre prática e teoria - Práxis.
⏩ Um grande diferencial em relação a outros métodos, é que o SPDH+ parte do real, que na maioria dos casos é o modelo agroquímico/ industrial, para o ideal, ou seja, para a agroecologia, num processo mediado pela realidade concreta.

✅🐄 Apesar de alguns desafios, é possível realizar a implementação do método de Sistema de Plantio Direto de Hortaliças e outras culturas (SPDH+), em áreas destinadas a atividade leiteira.
Na busca pela superação desses desafios, as famílias Pertile e Mello, com as orientações do agente de desenvolvimento Valmir José Krindges Jr., vêm dialogando constantemente e praticando a transição de modelo produtivo.🌿
📌 A família de Claudio e Nadir Pertile, da Linha Alfa IV, zona rural do município de São Bernardino/SC, aceitou implantar uma lavoura de estudo com mix de cobertura, com foco na melhoria do solo e na transição agroecológica. O objetivo é, na sequência, realizar o plantio do milho para silagem, promover maior retenção de umidade, controle de plantas daninhas e aporte de matéria orgânica. 🌽
🌾 Já a lavoura de estudo família de Neuri Antônio Correa de Mello, da Linha São Roque, zona rural de Campo Erê/SC, está passando por uma substituição estratégica da aveia pelo trigo forrageiro Tarumaxi, visando melhor adaptação ao pastejo de gado leiteiro e incremento da oferta forrageira no outono/inverno. Essa mudança tem como meta alinhar produtividade, rusticidade e menor custo de manejo.
🐄 Esses dois municípios situam-se na região Oeste/SC e tem forte tradição na pecuária leiteira, o que exige um sistema agrícola que forneça forragem de qualidade, com segurança e estabilidade, mesmo em anos de clima desafiador. O SPDH+ vem justamente como alternativa para melhorar a resiliência produtiva das propriedades.
Desafios enfrentados no SPDH+:
⏩ Mudança de mentalidade dos produtores: sair do sistema convencional exige tempo, confiança e acompanhamento técnico contínuo.
⏩ Controle de plantas daninhas sem herbicidas: especialmente na fase de transição, o manejo com rolo-faca, plantio no limpo e cobertura viva ainda são desafiadores.
⏩ Integração eficiente entre agricultura e pecuária: para que o SPDH+ realmente funcione no contexto leiteiro, o planejamento deve contemplar janelas de pastejo e adubação verde de forma articulada.


Na linha Rio Verde, município de Santo Antônio do Sudoeste, a agricultora familiar Lucélia Crespão dá continuidade à tradição da família de moer milho🌽 em moinho de pedra.
Ela conta que seu pai, há 45 anos, já fazia essa prática. Recentemente, Lucélia retomou esse sonho, junto com sua família, investiram num barracão, revisaram os conhecimentos populares sobre a prática de preparo e adquiriram os equipamentos🎯. Lembra que “a chegada da pedra é um símbolo desse reinicio.”
🌱A agroindustrialização do milho é uma forma de agregar renda ao produto, mas a agricultora afirma que “o moinho é muito mais que um negócio, é um propósito, é uma razão de vida, é a família envolvida.” O envolvimento está presente em todo o processo: no cultivo do milho, na colheita, na armazenagem, na moagem, na embalagem e na comercialização da farinha.
✅ Outro passo importante a ser dado pela família Crespão, é a moagem de milho não transgênico. Isso será possível já nesta próxima safra, pois Lucélia é uma das beneficiárias do Projeto Da Terra à Mesa e sua lavoura está em processo de transição, com cultivo de milho convencional.
O agente de desenvolvimento, @pcnascimentto tem acompanhado esse processo de transição, desde a análise do solo, semeadura do mix de cobertura, o plantio e desenvolvimento do milho. Nascimento afirma que é uma satisfação contribuir nesse sonho da família Crespão e Machado.

Agricultores/as familiares de Ampére e Pinhal de São Bento participaram nesta segunda-feira (24), na comunidade de Santa Inês, município de Ampére, de uma oficina sobre estratégias de fortalecimento da agricultura familiar.
✨ A atividade foi organizada pelo sindicato e conduzida pela equipe do Projeto Da Terra À Mesa e da Assesoar.
Na parte da manhã houve um diálogo sobre a realidade, desafios e perspectivas da categoria. Dentre os desafios, apontou-se a questão da renda e falta de terra, como fatores limitantes da continuidade na atividade.
🌱 A partir desses limites, discutiu-se sobre um novo modo de produção, baseado no método de SPDH+, que tem por objetivo a diminuição de custos de produção, autonomia, aumento da renda, cuidado com a biodiversidade e transição agroecológica.
📝 Na parte da tarde foram visitadas as experiências desenvolvidas pela família de Ronaldo e Rosimari Dapont, observando a biomassa produzida pelas plantas promotoras de biodiversidade, seguido de uma avaliação da fertilidade natural do solo.
A família está desenvolvendo experiências numa área do pomar, na cultura do maracujá e também numa lavoura de milho. No próximo ano pretende ampliar o método para a área de produção de hortaliças. 🥬

Ontem (20) foi um dia de muito diálogo com famílias agricultoras do município de Pinhão, com objetivo de avaliar a experiência do método de SPDH+ e encaminhar a continuidade das ações para o próximo ano.
A atividade aconteceu na comunidade de Guarapuavinha, na lavoura de estudo da família de Valdemir Barbosa, onde foi possível avaliar a quantidade de biomassa, a plantabilidade, a estrutura do solo, a saúde das plantas (milho) e a redução de custos de produção. 🌱
Segundo Claudemara Veiga, dirigente sindical da Fetraf-PR, "nesta lavoura de milho o agricultor fez o plantio no verde - sem necessidade de dessecação, não aplicou nenhum herbicida para limpa e usou apenas um produto biológico para controle de insetos, proporcionando uma redução nos custos", relata.
Durante a tarde, os participantes conversaram sobre os próximos passos, apontando para a construção de um plano de ações, visando a continuidade da experiência com as famílias já inseridas nesta proposta e agregando novas famílias interessadas.
A Fetraf-PR e a Assesoar seguem percorrendo o estado, num diálogo permanente com os sujeitos envolvidos na produção de alimentos e construindo de forma coletiva, uma nova proposta junto à agricultura familiar.

Turma de formação de dirigentes e agentes do Projeto Da Terra À Mesa visita experiência da produção de leite a base de pasto e aplicação do método de SPDH+, em lavoura de milho para silagem, no município de Seara/SC.
A experiência fomenta o debate e construção do projeto estratégico da agricultura familiar, em elaboração pelas Fetraf's dos três estados do Sul.
Na manhã desta terça-feira (28), a turma de formação de dirigentes e agentes do Projeto Da Terra À Mesa esteve na Linha Encruzilhada Santa Cruz, no município de Seara/SC, em visita a família de Gilson Bordignon.
Gilson é agricultor familiar, dirigente sindical no Sintraf de Seara, coordenador de uma cooperativa, participa da comunidade e de associações de agricultores.
Reside na mesma propriedade que seus pais e seu irmão. As três famílias trabalham em parceria e se organizam para tirar férias. "Você organiza seu tempo", diz Bordignon.
A área total é de 40 hectares. Destes, cultivam 16 ha: 3 ha com pastagens de inverno e silagem, 2 ha de cultivo de milho e cobertura de inverno e 11 ha com pastagens perenes - como tifton, missioneira gigante e capim, consorciadas com nozes.
O rebanho bovino é de aproximadamente 70 animais, da raça montbeliard e jersey. Atualmente são 20 vacas em lactação, manejadas no Sistema de Pastoreio Racional Voisan. "Esse sistema é muito próximo do método de SPDH+", afirma Valdemar Arl, coordenador pedagógico do projeto Da Terra À Mesa.
Quanto ao custo de produção de leite, Bordignon afirma que, "na pior das hipóteses, sobra 30%. Nos melhores períodos, a margem de lucro chega a 50%."
Além do pasto, a família produz silagem de milho, sendo que neste ano iniciou a implementação do método de SPDH+, com manejo de plantas de cobertura, acamamento e plantio no verde. O agricultor adaptou um rolo faca para a sua realidade, com um custo aproximado de R$ 4 mil.
Demonstra preocupação com o aporte de biomassa no sistema do cultivo de milho para silagem. Para isso, faz um consórcio com brachiaria, mantendo no inverno a área em descanso.
A experiência da família Bordignon tem apresentado ser sustentável: economicamente, ambientalmente e socialmente.

O jovem Wilton Lourenço de Oliveira, 20 anos de idade, reside na comunidade Curucaca, município de Honório Serpa/PR e tem como seu projeto de vida a continuidade nas atividades na agricultura familiar.
🧑🧑🧒🧒 Ele mora junto com seus pais, avós e sua irmã mais nova. Cultivam mandioca, leite, milho, feijão, hortaliças, frutas, dentre outros alimentos. 🌾🫘🥬 Neste ano receberam a certificação agroecológica da propriedade, valorizando a produção e possibilitando ganhos econômicos na comercialização. 🫰🏼
🚘 A comercialização é realizada nos programas institucionais e na Cooperativa de Desenvolvimento da Agricultura Familiar de Honório Serpa – Codesafa, onde o Wilton desenvolve atividades de auxilio nas entregas de merenda escolar, sendo bolsista do programa Projovem, realizado pela Unicafes/PR, em parceria com a Seab.
✊🏼A família também faz parte do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – Sintraf, o que possibilitou o acesso ao Projeto Da Terra à Mesa.
Segundo Wilton, por meio do projeto foi possível implementar técnicas que facilitam o trabalho, reduzem custos e dão perspectivas de aumento da renda, além de promover a troca de experiências entre as demais famílias beneficiárias.🌿

Uma oficina realizada nesta segunda-feira (29), em Seara/SC, reuniu agricultores familiares beneficiários do projeto Da Terra à Mesa e demais famílias que já praticam o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças e outras culturas (SPDH+) e teve por objetivo acompanhar o plantio no verde. 🚜🌱
🌾 A atividade ocorreu na lavoura de Gilson Bordignon, o qual desenvolveu uma adaptação no rolo faca, em que, na mesma operação, faz o acamamento e o plantio.
👉 Segundo a coordenadora estadual, Kelly Comin, “o equipamento tem um custo benefício excelente para viabilizar a atividade do plantio e aplicação do método, porque um dos desafios é operacionalizar o plantio no verde.”🌿
👏🏼👏🏼 Comin também parabeniza a iniciativa da família, que conseguiu fazer artesanalmente esse rolo faca, com muita criatividade e eficiência.
💬 “Na prática a gente gostou do que viu, pois cortou bem a palhada, cobriu as sementes e a tendência é ter uma boa plantabilidade. Na próxima oficina vamos avaliar a plantabilidade e os sinais de plantas,” conclui a coordenadora.

Aconteceu neste dia 22/09, na comunidade de Linha Rio Caçador, município de Dona Emma/SC, um seminário e oficina sobre o método SPDH+.🌱
Na parte da manhã ocorreu uma apresentação das famílias e avaliação do andamento dos trabalhos. 💬
🌿E à tarde, oficina técnica com visitas às propriedades de Samoel Lunelli, iniciando o método na cultura do tabaco, e família Tramontina, que fez o plantio do milho sobre a palhada.

As ações do Projeto Da Terra à Mesa seguem em andamento no Rio Grande do Sul, a exemplo das visitas nas lavouras de estudo, em que as famílias beneficiárias, juntamente com os coordenadores, agentes de desenvolvimento, lideranças sindicais e parceiros, dialogam sobre o modo de vida na agricultura familiar e formas de transição para um modelo de produção mais sustentável, com base no SPDH+. 🌿
📍 As atividades ocorreram nos municípios de Aratiba, Erval Grande, Itatiba do Sul, Tiradentes do Sul e Humaitá. Os participantes tiveram oportunidade de partilhar experiências, dialogar sobre os desafios do campo e refletir sobre perspectivas de transição agroecológica. 🌱🌽🥦
👉 Nas lavouras de estudo foi possível conversar sobre as contradições, tais como: dependência e autonomia ao baixar custos de produção com aumento da produtividade. 📈
⏩ Os trabalhos seguem numa busca constante da mediação dos conhecimentos populares e acadêmicos e de aproximação de agricultores/as, agentes e organizações, para construção de um novo modo de produção.